“A figura meta humana anterior havia partido, deixado para trás alguém que mesmo de aparência atrativa, não parecia nem um pouco confiável.”
Busquei de diversas maneiras não olhar para trás. Mas nem ao tentar ignorar o rosnado inquieto do poodle ao meu lado consegui controlar a curiosidade que me era estranha a cada incontrolável suspiro que eu dava naquele momento. É difícil me imaginar agindo por instinto, mas agora, em confissão; naquele momento eu agira por meio dele. É inexplicável, mas eu agira.
Um vento forte tocara meu rosto, colocando minha franja na frente dos olhos, impedindo-me de enxergar, quando por meu instinto me virei para ver quem produzia a sombra que crescia na areia a minha frente. E naquele momento eu soube que estava errada quanto ao pensamento permanente que havia se formado em minha mente naquele instante.
Ele não possuía sombra.
Não poderia.
E realmente não a possuía. Eu estava realmente errada. Precisei abafar com as duas mãos o grito grave que eu produzia, pois o que eu via era inacreditável. Estranho, anormal, e, centralmente, só podia ser mais algum delírio da minha mente febril.
Personagens de terror já faziam parte dos meus pesadelos, dos meus sonhos. Mas aquilo era... totalmente anormal.
De repente me vi recuando em silêncio pela areia, e a respiração lenta da figura meta humana começava a deixar sua lentidão de lado, trazendo o olhar vermelho intenso e recusável para mais próximo de mim, que continuava a recuar sem conseguir pensar no que poderia vir em seguida.
Minhas pernas agiram por si próprias, minha respiração era cada vez mais ofegante, meu coração parecia querer saltar do peito como quem quer saltar de um precipício, e meus sentidos pareciam desconhecidos a mim mesma. Eu não via mais nada. Corri amedrontada após me deparar com aquele olhar de encosto a mim, sedento de algo. Algo a qual eu não podia entender. Não deveria; não poderia de todas as formas.
O que aquilo era, eu não sabia, mas tinha a certeza de que meu bem não desejava. A figura meta humana corria sem ao menos se cansar, parecia indestrutível. Ela não se molhara quando atingiu a franja, e enquanto eu sentia minha roupa cada vez mais encharcada, à medida que eu ia mais fundo, ela continuava seca.
Seu olhar vermelho foi ficando amarelado, seus olhos fundos foram ficando mais humanos. Percebi que vestia uma jaqueta preta de couro, calça social da mesma cor, e seus cabelos encostava-se à nuca de modo que junto a seu olhar, mais humano agora, faziam-no parecer uma pessoa diferente. A figura meta humana anterior havia partido, deixado para trás alguém que mesmo de aparência atrativa, não parecia nem um pouco confiável.
De repente os cabelos que encostavam-se em sua nuca foram parar na altura da sua cintura, substituindo a cor negra dos fios por um amarelo intenso. A jaqueta e a calça social deixaram-se transformar em um vestido apertado, deixando sua silhueta escultural a mostra.
De repente os cabelos que encostavam-se em sua nuca foram parar na altura da sua cintura, substituindo a cor negra dos fios por um amarelo intenso. A jaqueta e a calça social deixaram-se transformar em um vestido apertado, deixando sua silhueta escultural a mostra.
Agora a figura já havia novamente se transformado.
Agora ela era uma mulher.
Eu não sabia como reagir a aqueles olhos intimadores. O olhar se tornou ameaçador, e seus olhos formaram uma profundidade escavadora, de um vermelho curtidor e impassível. Aos poucos sua face foi se transfigurando em novamente a aquela que eu vira na areia.
Gritei. Mas gritei não por presenciar sua mutação, mas por observar sua boca se abrir com severidade, deixando-a com um olhar faminto. Ela avançara quando notei sua face ficar mais clara, não por efeito da mutação, mas por algo que clareara atrás de mim, e no mesmo instante seu corpo fora parar longe. Agora os dez centímetros se tornaram noventa, e conforme sua silhueta tocara a areia aquecida da praia, ela se transformara em luz, após me observar e sorrir sinicamente para algo atrás de mim.
E, então ela se fora.
E novamente eu não me senti à vontade para me virar e ver quem produzia aquela luz que me envolvia.
Agora eu estava certa.
Agora eu sabia o que era.
“Ao mesmo tempo em que eu estava errada, estava certa.”
Participem da comunidade do e Era uma vez um sonhar.
No próximo tem mais #OFDMN.




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