07/02/2010

The beach night. part II

  “A figura meta humana anterior havia partido, deixado para trás alguém que mesmo de aparência atrativa, não parecia nem um pouco confiável.”
   Busquei de diversas maneiras não olhar para trás. Mas nem ao tentar ignorar o rosnado inquieto do poodle ao meu lado consegui controlar a curiosidade que me era estranha a cada incontrolável suspiro que eu dava naquele momento. É difícil me imaginar agindo por instinto, mas agora, em confissão; naquele momento eu agira por meio dele. É inexplicável, mas eu agira.
   Um vento forte tocara meu rosto, colocando minha franja na frente dos olhos, impedindo-me de enxergar, quando por meu instinto me virei para ver quem produzia a sombra que crescia na areia a minha frente. E naquele momento eu soube que estava errada quanto ao pensamento permanente que havia se formado em minha mente naquele instante.
   Ele não possuía sombra.
   Não poderia.
   E realmente não a possuía. Eu estava realmente errada. Precisei abafar com as duas mãos o grito grave que eu produzia, pois o que eu via era inacreditável. Estranho, anormal, e, centralmente, só podia ser mais algum delírio da minha mente febril.
   Personagens de terror já faziam parte dos meus pesadelos, dos meus sonhos. Mas aquilo era... totalmente anormal.
   De repente me vi recuando em silêncio pela areia, e a respiração lenta da figura meta humana começava a deixar sua lentidão de lado, trazendo o olhar vermelho intenso e recusável para mais próximo de mim, que continuava a recuar sem conseguir pensar no que poderia vir em seguida.
   Minhas pernas agiram por si próprias, minha respiração era cada vez mais ofegante, meu coração parecia querer saltar do peito como quem quer saltar de um precipício, e meus sentidos pareciam desconhecidos a mim mesma. Eu não via mais nada. Corri amedrontada após me deparar com aquele olhar de encosto a mim, sedento de algo. Algo a qual eu não podia entender. Não deveria; não poderia de todas as formas.
   O que aquilo era, eu não sabia, mas tinha a certeza de que meu bem não desejava. A figura meta humana corria sem ao menos se cansar, parecia indestrutível. Ela não se molhara quando atingiu a franja, e enquanto eu sentia minha roupa cada vez mais encharcada, à medida que eu ia mais fundo, ela continuava seca.
   Seu olhar vermelho foi ficando amarelado, seus olhos fundos foram ficando mais humanos. Percebi que vestia uma jaqueta preta de couro, calça social da mesma cor, e seus cabelos encostava-se à nuca de modo que junto a seu olhar, mais humano agora, faziam-no parecer uma pessoa diferente. A figura meta humana anterior havia partido, deixado para trás alguém que mesmo de aparência atrativa, não parecia nem um pouco confiável.
   
De repente os cabelos que encostavam-se em sua nuca foram parar na altura da sua cintura, substituindo a cor negra dos fios por um amarelo intenso. A jaqueta e a calça social deixaram-se transformar em um vestido apertado, deixando sua silhueta escultural a mostra.
   Agora a figura já havia novamente se transformado.
   Agora ela era uma mulher.
   Eu não sabia como reagir a aqueles olhos intimadores. O olhar se tornou ameaçador, e seus olhos formaram uma profundidade escavadora, de um vermelho curtidor e impassível. Aos poucos sua face foi se transfigurando em novamente a aquela que eu vira na areia.
   Gritei. Mas gritei não por presenciar sua mutação, mas por observar sua boca se abrir com severidade, deixando-a com um olhar faminto. Ela avançara quando notei sua face ficar mais clara, não por efeito da mutação, mas por algo que clareara atrás de mim, e no mesmo instante seu corpo fora parar longe. Agora os dez centímetros se tornaram noventa, e conforme sua silhueta tocara a areia aquecida da praia, ela se transformara em luz, após me observar e sorrir sinicamente para algo atrás de mim.
   E, então ela se fora.
   E novamente eu não me senti à vontade para me virar e ver quem produzia aquela luz que me envolvia.
   Agora eu estava certa.
   Agora eu sabia o que era.

“Ao mesmo tempo em que eu estava errada, estava certa.”

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No próximo tem mais #OFDMN.

24/01/2010

The beach night. part I

  Já era final de tarde. O azul calmo e esplendido se despedia do meu olhar e dava lugar a nevoa anterior ao tapete aveludado de estrelas que aos poucos tomava seu lugar como todas as noites daquele verão insistente. As luzes da rua começavam a se acender, e eu observava as ondas do mar a alguns quilômetros de mim dançarem como se demonstrassem alegria em poder rever a lua e as estrelas calorosas. Conforme todas as luzes se acendiam eu ficava mais agoniada. Elas atrapalhavam a bela visão do mar que me era longe daquela sacada arejada.
  Duas horas se passaram. Aos poucos o cansaço tomou minha vista que não era tão perfeita. As luzes já estavam todas acessas, inclusive as da casa e da sacada. E em resposta a toda aquela claridade importuna, desci as escadas alvoroçada, em seguida sai sem olhar para trás.
  A comprida rua que levava até o calçadão da praia estava tão iluminada quanto a rua onde se localizava minha casa, e embora eu não me acostumasse a tanta claridade, aquela já não me deixava em estado de reclame. Eu sabia que logo elas cessariam. Eu podia ver a escuridão a alguns metros de mim, e ouvir o barulho da água dando de encontro aos rochedos.
  Alguns minutos depois cheguei à praia. Tirei minhas sandálias e caminhei descalça na areia que naquela noite se encontrava aquecida. Não havia ninguém naquele trecho, a não ser uma mistura de poodle com vira-lata que vagava disperso na borda da praia. Busquei um lugar próximo a franja, um lugar que fizesse o mar alcançar meus pés, e me sentei, estalando os dedos para chamar a atenção do poodle que se encontrava próximo a mim. 
  Ele era dócil. Veio de um jeito desconfiado ao meu encontro, mas permaneceu sentado e quieto quando percebeu que receberia uma dose de carinho durante minha estada naquela praia. E que a propósito, se dependesse da minha intenção, seria longa.
  As horas se passaram, meu relógio marcava oito da noite quando me sentei na areia, e agora já era quase onze. E o cachorro continuava me fazendo companhia, e eu a ele. Ele já havia recuado e ao que me parecia, estava em um sono profundo. Mas meus dedos continuavam a acariciá-lo. Eu sempre quisera um companheiro daquele.
  A todo o momento eu me perguntava como conseguia ficar tanto tempo sentada observando o mar, e eu mesma respondia.
  Ficar ali, sentada, era como um refúgio a minha mente. Talvez o que eu sentia quando observava o ballet das ondas fosse um alivio tão gostoso que me fazia querer ficar mais. E mais, isso não me cansava em nenhum momento. Era confortável. Melhor até que minha cama que era tão macia que fazia do sofá da biblioteca uma pedra.
  Aquele lugar conseguia distanciar meus pensamentos de algo que me aparecia a todo momento. Algo que a todo o momento parecia indefeso, com aquele olhar enigmático que insistia em estar em minha vida todas as vezes que eu fechava os olhos, mas pelo contrário, não eras indefeso, nunca fora; não para mim. Eu começava a crer que era a pior das criaturas, a mais pavorosa e desfocada beleza, a pior parte das trevas da noite; o pior dos sonhos, ou... Pesadelos?
  Foi então que ouvi o rosnado do poodle ao meu lado. Alguma coisa o fizera ficar daquela maneira, havia algo de errado...
  ... E eu, pela primeira vez, não queria me virar para saber o que era.

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No próximo tem mais #OFDMN O fantasma da meia noite.

22/01/2010

Um video e um livro.

Ultimamente ando sem muito o que postar. Quero centralizar mais no final do meu livro, então estou procurando ler vários livros do mesmo genero, então fica complicado pra estar escrevendo sobre outras coisas, até sobre o fantasma da meia noite que comecei a escrever e tenho de terminar para poder postar. Resolvi postar esse video que já tinha a intenção de postar a algum tempo, mas não sabia o que escrever sobre ele.

Quem viu essa cena de Viver a vida?
Achei umas das melhores da novela até agora. Inspiradora, se é assim que posso dizer.
 
Miguel ou Jorge? rs :)

Mudando de assunto, terminei de ler Viagem ao centro da Terra, e achei bem interessante, porém, achei que teria mais detalhes, pois no filme existe muitos. Mas mesmo assim gostei.
Ontem eu estava na livraria procurando algum livro que me chamasse a atenção, mas eu não estava tão empolgada para ler nenhum, quer dizer, não estava empolgada para comprar nenhum, sabe, nada me chamava a atenção. Então lembrei de o Ladrão de raios, uma febre literária que virou filme, que terá como protagonista  Logan Lerman. Peguei e gostei. Já estou na metade do livro e estou achando bem interessante.
O Ladrão de raios é o primeiro volume da saga Percy Jackson e os Olimpianos. É repleto de lendas da mitologia grega com aventuras do século XXI. Nessas aventuras os deuses se apaixonam por mortais e geram filhos metade deuses, metade humanos. E poucos chegam até a adolescência e poucos descobrem sua verdadeira identidade.
Percy Jackson é um deles. Um garoto cheio de problemas que sempre teve experiências estranhas, o que sempre faz com que seja expulso de algum colégio. Parece que seres mitológicos saltam das histórias para sua vida. E pior: ele parecem bem irritados com Percy. Um artefato precioso foi roubado do Monte Olimpo e Percy é o principal suspeito. Para restaurar a paz, ele e seus amigos - jovens heróis modernos - terão de fazer mais do que capturar o verdadeiro ladrão: precisam elucidar uma traição mais ameaçadora que a fúria dos deuses.
Bom, é isso. Vou continuar com meu livro.
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Beijos.

17/01/2010

Se por acaso eu tivesse nascido, ou em uma manhã ensolarada acordasse sabendo que tinha poderes mágicos...


...colocaria um pouco de juízo na cabeça de muitas pessoas. Não é só isso que eu faria, tem muitas outras coisas, afinal, eu usaria e abusaria dessa dádiva que pode ser boa... Ou não? Certo. Se eu viciasse em tornar tudo mais fácil isso se tornaria realmente ruim. Mas, voltando do ponto onde deixei reticências; o juízo com certeza entraria na cabeça de algumas pessoas, e junto dele o respeito, amor, vergonha na cara (aham!), respeito primeiramente com si próprio, respeito ao próximo. Acho que quando se tem um demasiado “juízo” na cabeça tudo isso pode até se concretizar. O fato é; O que está acontecendo com esse mundo gigantesco? As pessoas precisam bater de cara na parede quinhentas vezes para obter um pouco de juízo e respeito próprio? Faria com que a consciência batesse na cabeça de todos, por favor, não dá pra ver que o mundo aos poucos está definhando? Muitas pessoa dizem que colaboram e ficam quase duas horas dentro de um chuveiro; isso é colaborar? E esse terremoto no Haiti? Sabe, fiquei realmente assustada... Isso me lembra alguns filmes (não quero citá-los. Não gosto desse tipo de filmes.). As vezes paro para pensar: fazemos nossa parte, mas e os outros? Do que adianta nós lutarmos enquanto outros abusam do que estamos deixando de lado? Bom, isso resultará no mesmo que se não estivéssemos colaborando.
  É complicado. Quando paro para pensar nisso fico até com dor de cabeça.
  Ter poderes mágicos não seria uma má idéia. Não mesmo!

Mudando de assunto. Hoje estava na livraria anotando o nome de alguns livros que pretendo ler, e encontrei um que me chamou atenção: Viagem ao centro da Terra de Júlio Verne. Ele é em formato de bolso, um tanto pequeno. Alguém já leu? Desde que assisti o filme, que aliás tem a atuação do meu ídolo; Josh Hutcherson, fiquei interessada em ler o livro. Sabe, conhecer os detalhes mais a fundo. Já comecei a ler, e até onde li o livro é realmente bom. Vale a pena conferir.

P.S.: Não deixei o fantasma da meia noite de lado, logo postarei mais histórias.
Comunidade do e Era uma vez um sonhar. Participem :)
Beijos.

14/01/2010

E se você

E se você tivesse poderes mágicos, o que faria?

Um post rápido esse. Isso me passou pela cabeça e queria saber a resposta de vocês.
Entre na comunidade do Blog e se quiser responda lá também.
A minha resposta será no próximo post.
Beijos

05/01/2010

A promessa de que seja eterna.

"I can't fight this feeling any longer
And yet I'm still afraid to let it flow
What started out as friendship has grown stronger
I only wish I had the strength to let it show"
Can't fight this feeling - Glee
Tradução



    “É como lutar contra mim mesma, mentir sem ao menos estar mentindo. Nós tentamos agir corretos, tentamos ser bons, tentamos não cair em contradição a nossa vontade alternativa; mas não. Foi, é uma falha. E mesmo que eu lute para extrair essa vida que crescera em mim, não consigo. A cada dia que passa chego a conclusão de que é impossível lutar contra isso. Eu só peço , eu só quero uma coisa: Me desculpe por isso. Não se culpe. Porque eu tentei, fiz por evitar, mas falhei, é mais forte que eu. É isso aí, o coração vencera a razão, e a razão pela primeira vez perdera dentro de mim. “
    “Desde quando se arrepende por algo? Nunca fizera errado, e se culpa por perder uma batalha dentro de si?”
    Era o vento que me fazia acalmar. Fora o vento a culpa de toda essa situação. Eu não sabia. Ah, se eu soubesse o que me traria. Não teria saído de casa naquela noite de quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009.
Estavam todos ansiosos para o repetitivo espetáculo de luzes no céu, enquanto eu esperava apenas para pular as ondas que guardavam meus segredos. Ondas que a partir daquela noite guardaram um segredo único, o que eu não pudera contar ao dono do sorriso cativante que conhecia meus segredos mais profundos, o que naqueles segundos segurou minha mão e passara seu calor a mim. A quem eu me virei após o vento tocar de leve meu rosto e disse em carinhosas palavras:
 — A promessa de que seja eterna.
    Ele assentiu com aquele sorriso que a partir daquele momento me fizera destacar um brilho intenso e novo quando seu olhar encontrara o meu, e causara uma aceleração dentro do meu peito; um impacto diferente, uma batida afetuosa.
    “Não se culpe por nada. Eu estaria sendo insensato e injusto com você. Por quê julgá-la sem razões? Você me julgaria?”
    “Você...?”
    “Sim. Eu poderia me culpar, mas não por lhe fazer sentir-se assim, mas por também perder essa luta.”
     Seu olhar caiu sobre o meu e suas mãos afogaram as minhas como as ondas que afogavam meus pés e meus segredos naquela noite de 31 de Dezembro.
    “E pela primeira vez o coração vencera nossas razões.” Ele começou, me olhando fixamente.
    “A promessa que seja eterna. Eu prometi duas coisas naquela noite. Uma fora que essa confiança dure para sempre, e a outra...” continuou.
    “O que?”
    Ele levara o indicador ao meu rosto, e desenhara novamente em minha face, como sempre fazíamos. Mas desta vez ele não desenhava o que eu desconhecia; eu sabia o que ele desenhava.
    “Você.”
    A som de sua voz aveludada soara como música em minha mente, e produzira um sorriso, que desta vez não era como das outras vezes. Eu sabia que não estava errada, e não dissera, mas enquanto ele segurava minha mão naquela noite e prometíamos nossa amizade eterna, eu também fazia como ele.
    “Você.” Sorri.
    Uma loucura, talvez, tudo aquilo seria. Mas eu sabia que era a pessoa que eu esperava, e era a pessoa que estivera sempre ao meu lado, que me ouvia quando eu precisava falar, que me abraçava quando eu precisava de um abraço, que me aconselhava quando eu pensava em desistir. Quem eu prometi. Quem eu considerei meu amigo confidente, meu melhor amigo, a quem irei considerar eternamente.

"And I can't fight this feeling anymore
I've forgotten what I've started fighting for
It's time to bring this ship into the shore
And throw away the oars
Baby I can't fight this feeling anymore"
Can't fight this feeling - Glee
Tradução

Para o Blorkutando; "Meu Melhor Amigo?!"
Espero que tenham gostando. Foi de coração, me envolvi bastante para escrever.
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